Criação e o Protagonizar Quatro Personagens

I – Formação e Trajetória

Pedagoga. Pós-graduada em Arte Educação e Tecnologias Contemporâneas pela Universidade de Brasília (UnB). Pós Graduada em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação à Distância pela Universidade Federal Fluminense- UFF. Educadora Ambiental pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Designer Instrucional para EaD Virtual pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI

Sua trajetória integra formação acadêmica, atuação no ensino presencial e desenvolvimento de projetos educacionais na modalidade a distância, articulando fundamentos da Educação, das Linguagens e das Tecnologias Contemporâneas. Ao longo de décadas de prática docente, consolidou uma abordagem pedagógica construída na relação direta com seus alunos, no diálogo permanente e na busca constante por estratégias que favoreçam aprendizagens significativas.

II – Despertar A Chama do Desejo de Aprender

No centro de sua concepção pedagógica está a convicção de que educar é despertar, em cada aluno, a chama do desejo de aprender e mantê-la acesa ao longo de todo o processo formativo. Não é admissível que estereótipos sociais, econômicos ou preconceitos silenciosos determinem quem merece ou não aprender. Excluir é ferir o princípio ético da docência.

Esse princípio sustenta sua concepção de Letrando, entendida como processo permanente de formação humana. Não se trata apenas de alfabetizar ou inserir o sujeito nas práticas sociais de leitura e escrita, mas de formar, ao longo da vida, consciência ética, responsabilidade ambiental, respeito às diferenças e compromisso com o bem comum, fundamentados no amor por tudo e por todos.

Sua fundamentação dialoga com a psicogênese da língua escrita, a pedagogia crítica e as abordagens socioculturais do letramento, em interlocução com Emilia Ferreiro, Ana Teberosky, Paulo Freire, Magda Soares, Ângela Kleiman, Leda Verdiani Tfouni e Brian Street. Amplia-se, ainda, a partir das reflexões de Moacir Gadotti, André Trigueiro, Ailton Krenak, Edgar Morin e Michèle Sato, integrando dimensões éticas, ambientais e civilizatórias à prática educativa.

III – Personagens como Recurso Metodológico para a Formação Humana

As personagens educacionais criadas por Roseli são quatro Professoras Lilica, cada uma com trajes diferenciados, inspirados em linguagens cinematográficas. Utilizam perucas e luvas, cada qual em cores que dialogam com a identidade da personagem. Dentre elas está a Coordenadora Pedagógica, com peruca de cabelos ruivos na altura do pescoço; a Princesa das Águas, com vestido azul e peruca de cabelos longos pretos; a Princesa das Florestas, com vestido lilás e peruca de cabelos castanhos; e a Professora cadeirante, a Princesa das Crianças, com vestido inspirado na personagem Branca de Neve.

Todas utilizam óculos com lentes no formato de coração, confeccionados com o mesmo grau óptico necessário no cotidiano de Roseli. O elemento não é meramente estético: simboliza a escolha consciente de olhar o mundo, o conhecimento e o outro a partir da ética do cuidado, do amor e do respeito.

Essas personagens constituem recurso metodológico autoral, com objetivos claramente definidos: afirmar, de forma concreta, o respeito às diferenças, romper estereótipos e ensinar, na prática, que inclusão não é discurso, é ação.

Somando-se a essa proposta, destaca-se a personagem Lili, a Bruxinha do Amor. Com chapéu seletor, varinha mágica com som e luz, bola de cristal igualmente sonora e um pequeno balde vermelho, com o símbolo do amor na cor branca, no qual deposita ervas naturais para compor a poção mágica, a personagem materializa, de forma simbólica e intencional, valores essenciais à formação humana.

Não se trata de fantasia vazia, mas de recurso metodológico de grande potencial pedagógico para despertar nos alunos o desejo de buscar novos saberes, por meio de uma linguagem artística consciente e intencional.

A varinha que emite luz e som desperta atenção e curiosidade. A bola de cristal que emite som, muda de cor, produz ruído convoca o imaginário. O baldinho vermelho, com pés de madeira e um coração branco, repleto de ervas naturais, aliado aos gestos manuais e à repetição da palavra amor, anuncia simbolicamente que a magia está sendo construída sob o princípio ético que orienta a ação educativa.

Tudo converge para aguçar o desejo de aprender, despertando a chama que existe em cada aluno e promovendo uma aprendizagem contextualizada e significativa.