A expressão “despertar a chama do desejo de aprender” no alunado, no processo de construção do conhecimento, e mantê-la acesa sempre esteve presente em seu sentir e em sua atuação pedagógica, tendo sido apresentada na defesa de sua pós-graduação na Universidade de Brasília (UnB).
Essa concepção dialoga com os eixos clássicos da epistemologia. Do Empirismo, reconhece-se a importância da experiência concreta como fonte de aprendizagem; do Racionalismo, a valorização da reflexão, da organização lógica do pensamento e da construção de sentido; e do Construtivismo, a compreensão de que o conhecimento se constitui na interação ativa entre sujeito e mundo.
Em sua prática pedagógica, esses três eixos não se apresentam de forma fragmentada, mas articulada: a experiência é vivida, a reflexão é estimulada e o conhecimento é construído coletivamente, em permanente movimento formativo.
Durante a pandemia, no final de junho de 2020, um símbolo do amor brotou da terra em uma lasca de pinus que havia sido colocada como forração em um pequeno jardim de sua residência há quase três décadas. O coração — a menor escultura feita pela Mãe Natureza — denominado Coração Divino, na cor da chama ardente, passou a dialogar de forma concreta com sua convicção formativa, reafirmando o eixo ético que orienta sua prática: educar é manter viva a chama.
Em outubro de 2024, atendendo gentilmente ao pedido de uma colega de profissão, Lili apresentou-se presencialmente em uma escola de Ensino Fundamental no município de Mirassol-SP, abordando a importância do amor por tudo e por todos. Nessa vivência foram trabalhados diferentes aspectos das relações humanas.
Como essa atividade ocorreria fora do contexto educacional da COL Cursos Online Ltda., e considerando que as personagens foram originalmente concebidas para a modalidade 100% virtual, foi necessário planejar adaptações específicas para a experiência presencial.
Considerando que Roseli possui restrições de esforço físico, estando impossibilitada inclusive de elevar o braço direito acima da linha média em decorrência de acidente de trabalho e doença ocupacional, organizou-se previamente a atividade para que fosse realizada com segurança. Atendendo ao pedido da professora regente da turma, o diretor da unidade escolar e a zeladora auxiliaram durante toda a vivência.
Roseli saiu de São José do Rio Preto com seu veículo carregado com todos os materiais necessários. O diretor e a zeladora retiraram os objetos do carro e os transportaram até o local da apresentação.
Antes da apresentação da Bruxinha do Amor, foi fixado na entrada da biblioteca o cartaz:
EM CARTAZ: A Lei do Amor – Poção Mágica para o Amor, com a Bruxinha Lili e o Coração Divino.
Foram providenciados cerca de 35 (trinta e cinco) aventais tipo jaleco, confeccionados em TNT na tonalidade laranja — cor da chama ardente do amor — para todos os alunos da turma participante. Ao atravessarem a porta da biblioteca, deixavam simbolicamente o espaço tradicional da sala de aula e ingressavam em um ambiente formativo diferenciado, no qual seriam protagonistas da experiência pedagógica.
O tripé e o pano de fundo foram montados pelo diretor. Uma mesa foi montada unindo carteiras e forradas com TNT na cor cru pela zeladora. O balão inflável também foi preparado com o apoio da direção.
Antes do início da apresentação, a zeladora auxiliou Roseli na troca de figurino, ajudando-a a vestir os trajes da personagem, ajustar a peruca e organizar os acessórios. Ao término da vivência, auxiliou novamente na retirada do figurino, permitindo que Roseli retornasse às suas vestes habituais com segurança e tranquilidade.
Esse cuidado coletivo evidenciou o espírito de cooperação que permeou toda a atividade.
No horário agendado, os alunos dirigiram-se à biblioteca em fila indiana e em silêncio, transformando aquele espaço em cenário de vivência formativa. Ali, participaram ao lado da Bruxinha Lili da preparação simbólica da poção do amor como princípio educativo.
Durante a vivência, conforme registrado em vídeo pela direção da unidade escolar, os alunos expressaram de maneira espontânea seus desejos e suas realidades familiares.
Alguns pediram explicitamente que o amor chegasse aos seus lares, fortalecendo a união de seus pais. Outros solicitaram que o amor afastasse seus familiares de comportamentos que fragilizavam a harmonia da casa. Houve ainda aqueles que afirmaram desejar que o amor estivesse presente em suas famílias, pois, segundo relataram, sentiam sua ausência.
Essa vivência despertou neles a esperança concreta de uma vida melhor dentro de suas próprias casas, junto aos seus familiares. Não se tratou de fantasia, mas de manifestação genuína de fé, confiança e desejo de transformação. O ambiente construído favoreceu escuta legítima, pertencimento e protagonismo, permitindo que as crianças acreditassem na possibilidade real de reorganização de suas relações familiares a partir do amor como princípio ético.
Após o término da atividade, Roseli foi convidada a apresentar-se nas demais salas. Convite aceito.
Lili percorreu os corredores, entrando nas salas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental com a varinha mágica e o baldinho vermelho com ervas naturais. Ao movimentar a varinha, que emitia luz e som, espalhava simbolicamente a poção do amor. Alguns alunos reconheceram a professora Roseli pela voz; outros permaneceram na dúvida. Crianças da Educação Infantil aproximaram-se com entusiasmo, desejando abraçar a personagem, colocar o chapéu e segurar a varinha.
Como a menor escultura feita pela Mãe Natureza que brotou da terra, o Coração Divino tem base em uma lasca de pinus. Desde que foi retirado do local onde brotou, em junho de 2020, passou a adornar um dos ambientes de sua residência.
Ao longo do tempo, especialmente em períodos de altas temperaturas, a madeira desidratou consideravelmente, mas a escultura permanece intacta, preservando sua forma e delicadeza. Seu tamanho é mínimo, equivalente à unha do polegar de Roseli.
Todos os alunos do período da manhã conheceram o Coração Divino por meio de fotografias, pois não se poderia correr o risco de transportá-lo, dada sua fragilidade.
OABCD Letrando
O OABCD Letrando nasce dessa trajetória. Constitui espaço de reflexão e produção intelectual dedicado a pensar o que significa estar em permanente processo de formação humana, integrando conhecimento, consciência ética, responsabilidade ambiental e compromisso com o bem comum.
Fundamenta-se na articulação indissociável entre experiência, reflexão e construção do saber, reconhecendo que educar é ato epistemológico, ético e político. Ao integrar empirismo, racionalismo e construtivismo, afirma que o conhecimento não é mera transmissão, mas elaboração ativa; não é imposição, mas diálogo; não é acúmulo de informações, mas formação de consciência.
Nesse horizonte, teoria e prática entrelaçam-se como dimensões complementares da ação educativa, formando sujeitos críticos, sensíveis e protagonistas de sua própria história, capazes de agir no mundo com responsabilidade, discernimento e humanidade.
Letrando, hoje e sempre, com amor por tudo e por todos.
